Elétricos e híbridos
Redação Drivesfera
Elétricos e híbridos

A lista do Car of the Year é toda elétrica, e isso é só metade da história

Sete finalistas elétricos são um marco, mas uma lista sem carros chineses e sem híbridos sugere que o júri descreve um mercado em que os compradores não vivem mais.

Publicado
31 de outubro de 2026
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Um prêmio pode dizer que escolhe o melhor carro da Europa se a lista de finalistas deixa de fora as marcas chinesas e os híbridos por completo? Essa é a pergunta incômoda por trás dos finalistas do Car of the Year 2027, e ela merece mais atenção do que as manchetes sobre um "primeiro marco histórico".

Os fatos são simples. Pela primeira vez em 63 anos de história do prêmio, os sete finalistas são elétricos a bateria: BMW iX3, Cupra Raval, Hyundai Ioniq 3, Kia EV2, Renault Twingo, Volkswagen ID. Polo e Volvo EX60. Como observa o Il Sole 24 Ore, carros chineses e híbridos ficaram de fora. O vencedor será anunciado em 8 de janeiro de 2027, no Salão do Automóvel de Bruxelas.

O elétrico não é mais a exceção, é a base

A primeira metade da história é, de fato, uma boa notícia. Alguns anos atrás, uma lista assim pareceria golpe publicitário. Agora ela soa como uma descrição simples do que as montadoras estão lançando, e vários finalistas parecem voltados para um público amplo, e não para o nicho de luxo, o que consideramos o mais animador. O CleanTechnica informa que a Hyundai diz que o Ioniq 3 parte de menos de €30.000 nos mercados europeus e oferece até 497 km (WLTP) na versão Long Range. Pense o que quiser do júri: um elétrico com esse preço e essa autonomia entre os candidatos mostra o quanto o segmento evoluiu.

Os próprios organizadores ligam essa varredura à crise de combustíveis provocada pela guerra no Irã, que, segundo eles, levou mais gente a escolher carros elétricos. Achamos isso plausível, mas não a explicação completa. Os ciclos de produto da indústria provavelmente já caminhavam nessa direção. A crise apenas tirou a desculpa para ignorar isso.

O júri pode estar avaliando um mercado que não existe mais

Agora, a metade incômoda. As marcas chinesas estão ausentes entre os finalistas. Enquanto isso, o Expansión informa que a UE e a China concordaram em limitar as importações de híbridos e híbridos plug-in chineses a 350 mil unidades por ano, contra cerca de 800 mil esperadas neste ano. O veículo acrescenta que o Omoda 5 é o híbrido chinês mais vendido na Espanha, com perto de 12 mil emplacamentos nos dez primeiros meses de 2026. Para ser justo, é um híbrido, então jamais entraria em uma lista só de elétricos. Mas, na nossa visão, isso mostra que os carros chineses não são marginais na Europa.

Sejamos justos com o júri: os elétricos chineses podem simplesmente não ter sido os melhores entre as 38 inscrições, e um grupo exclusivamente elétrico é uma escolha editorial legítima. Mas um prêmio cujos critérios incluem custo-benefício e posicionamento de mercado não deveria ser indiferente a quem está ganhando em preço e vendas. Achamos que um Car of the Year que ignora sistematicamente os carros que estão remodelando o mercado mede ambição, não realidade. Deixar os híbridos totalmente de fora agrava isso, pelo menos a julgar pelos números espanhóis.

Há um contra-argumento, e é bom. A política e as tarifas dificultam a candidatura de modelos chineses como campeões europeus, e a produção local conta. Dois dos finalistas, o Cupra Raval e o ID. Polo, são fabricados na Seat Martorell, uma boa história para a indústria espanhola. Ainda assim, ser feito na Europa é um argumento de negócios, não necessariamente um argumento sobre os méritos do carro.

Leia a lista como um guia, não como um mapa

Se você está pensando em comprar, trate a lista como um guia dos melhores elétricos novos europeus e coreanos, e não como um mapa de tudo o que está à venda. Algumas das alternativas mais baratas e mais comentadas podem nem aparecer nela. Se você acompanha a indústria, fique de olho na próxima edição: se as marcas chinesas continuarem fora dos sete finalistas enquanto seus carros seguem subindo nos rankings de vendas, o prêmio terá um problema de credibilidade, e não uma coincidência.

Nosso veredito: comemore o marco, mas não o confunda com o quadro completo. O elétrico venceu o debate entre quem julga os carros. Quem os compra provavelmente ainda faz um leque mais amplo de escolhas, e o júri deveria correr atrás.

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