Bateria de 60 kWh do NIO Firefly resolve a autonomia, mas as estações decidem
Uma bateria CATL de 60 kWh eleva em um terço a autonomia CLTC do Firefly, e a troca facilita o upgrade. Fora da China, o limite real são as estações que não existem.
Imagem gerada por IA
E se a cura para o problema de autonomia dos elétricos pequenos não for uma bateria maior, mas uma bateria que você troca como quem muda de assinatura? Esse é o argumento discreto por trás da nova opção do NIO Firefly, e ele é mais interessante que o número da manchete.
Veja o que aconteceu. Segundo o CnEVPost, o Firefly lançou uma bateria de 60 kWh que eleva a autonomia CLTC de 420 km para 560 km, cerca de 33% a mais. O CLTC é um ciclo de testes chinês generoso, então a autonomia real será menor. Novos compradores podem pedir o carro a partir de 136.800 yuans com a bateria incluída, ou a partir de 79.800 yuans no plano de bateria como serviço, com aluguel mensal de 599 yuans. Carros já entregues podem ser atualizados por meio de uma troca de bateria.
O mais inteligente é o upgrade, não a bateria
A maioria das montadoras vende um tamanho de bateria uma única vez, e pronto. O Firefly projetou as baterias de 42 kWh e 60 kWh com as mesmas dimensões de caixa, pontos de fixação e mecanismo de travamento, de modo que o dono pode subir de versão sem trocar de carro. Quem comprou a bateria paga uma diferença de 17.000 yuans. Usuários do BaaS pagam uma taxa de serviço de 3.000 yuans e um aluguel que sobe de 399 para 599 yuans por mês.
Na nossa visão, essa é a verdadeira inovação. Um pequeno carro urbano é comprado com orçamento apertado, e é justamente nessa hora que você subestima como vai usá-lo. Poder comprar a versão de menor autonomia e crescer depois transforma a ansiedade de autonomia em uma compra que dá para adiar. Não lembramos de muitos elétricos convencionais que ofereçam isso.
A escolha da química também é sensata. O presidente do Firefly, Daniel Jin, disse que uma bateria LFP de 60 kWh seria mais barata, porém mais pesada, e poderia prejudicar a dirigibilidade. A bateria ternária da CATL mantém tamanho e peso em ordem de marcha praticamente iguais. As duas versões vão de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos. O limite foi o peso, não o custo, o que sugere que a empresa se preocupa com o modo como o carro anda.
Um hatch de 4.003 mm vira um possível carro único
Antes, o Firefly era um carro para a cidade. Com 560 km no ciclo CLTC, ele pode encarar viagens mais longas, como observa o China EV Home. A demanda parece saudável: as entregas de setembro foram de 7.327 unidades, recorde mensal, e as entregas acumuladas passaram de 90.000 em 16 de outubro.
Acreditamos que o preço é o ponto fraco. A versão de 60 kWh, a 136.800 yuans, custa bem mais que o preço de entrada atual de 119,8 mil yuans do modelo de 42 kWh, e o aluguel maior do plano BaaS é permanente. Se os compradores verão um "carro de verdade" ou uma venda casada dependerá de quantos realmente usarem a autonomia extra.
As redes de troca, não os números de catálogo, decidem a exportação
Aqui o otimismo acaba. O Firefly não podia usar as estações de troca de quarta geração da NIO por causa de sua carroceria e entre-eixos menores. Só ganhou acesso em 7 de agosto, com as estações de quinta geração, e em 1º de outubro a NIO contava mais de 89 delas em 55 cidades chinesas. William Li também disse no ano passado, segundo o Global China EV, que o Firefly não vai aceitar o sistema de troca Chocolate da CATL. Ou seja, o carro depende de uma única rede proprietária, e essa rede é jovem.
Compare com a Europa. O mapa de carregadores da NIO na Europa listava 61 estações de troca em 13 de outubro, e o Electric Vehicles informou em maio que a NIO disse à Europa para não esperar atualizações de modelos até o fim de 2027 nem novas estações de troca. Seja qual for a situação exata do Firefly por lá, um upgrade por troca de bateria significa pouco onde não há onde trocar. Quanto aos Estados Unidos, não vimos sinal de que o Firefly esteja a caminho.
A bateria de 60 kWh prova que a troca pode resolver o problema de autonomia dos elétricos pequenos em um mercado que construiu a infraestrutura. Não prova que a ideia viaje bem. Nosso veredito: aplauda a engenharia, mas julgue o Firefly no exterior pelo número de estações, não pelos números do CLTC. Até que elas cresçam, uma bateria maior é só uma ficha técnica melhor.
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