Segundo reajuste do Chevrolet Sonic mostra que preço de lançamento é isca
R$ 6.400 a mais desde o lançamento: o Sonic mostra por que o consumidor brasileiro deve ver o preço promocional como oferta de abertura, e não como promessa.
Foto: Chevrolet / sala de prensa (uso editorial)
Quanto vale um preço de lançamento que não sobrevive à pré-venda? No Brasil, a resposta honesta talvez seja: uma frase de marketing. O Chevrolet Sonic é a prova mais recente.
Segundo o Webmotors, o SUV compacto ficou R$ 1.400 mais caro em outubro. O Premier passou de R$ 134.990 para R$ 136.390, e o RS, de R$ 140.990 para R$ 142.390. É o segundo reajuste: um anterior, de R$ 5.000, eleva o total a R$ 6.400 desde o lançamento, como observa o Mundo do Automóvel para PCD. O mesmo veículo acrescenta que os novos valores ainda não aparecem no configurador on-line da Chevrolet.
O "preço de lançamento" nunca foi o preço
O Sonic estreou com preços promocionais de R$ 129.990 para o Premier e R$ 135.990 para o RS, e o próprio comunicado da Chevrolet os classificava como preços promocionais de lançamento, sugeridos ao consumidor final e sujeitos a variação. Leia o asterisco e a história já está ali. O Premier foi depois reposicionado em R$ 134.990, de acordo com o Vrum, o que representa alta de cerca de 3,8% só nesse primeiro movimento (cálculo nosso).
Acreditamos que este é o mecanismo real: o número de destaque rende os cliques, os comparativos e os anúncios de "a partir de". O valor que você de fato paga chega depois. Quem se ancorou nos R$ 129.990 para escolher o Sonic em vez dos concorrentes decidiu com base em um dado que expirou. E, como a primeira correção é a que mais abala a credibilidade, cada novo aumento "pequeno" de R$ 1.400 parece mais fácil de engolir. É assim que um preço desliza R$ 6.400 sem nenhum momento dramático.
Não é uma esquisitice do Sonic, é um hábito do mercado
Resista à tentação de apontar um único modelo. O Auto+ TV informa que a Chevrolet reajustou oito carros de uma vez, do Onix ao Equinox e à S10. O Jeep Avenger também subiu de novo, segundo o Guarulhos Todo Dia, em R$ 2.000 em duas versões. Ajustes periódicos nas tabelas parecem ser a regra, não a exceção.
Isso faz do Sonic um estudo de caso útil, e não um vilão. A sequência de estreia barata, correção rápida e aumentos a conta-gotas é algo que esperamos ver repetido a cada novo lançamento. Trate-a como padrão e planeje-se.
O custo-benefício está mesmo se esvaindo? Menos do que a tese sugere
É preciso ser justo. Mesmo a R$ 142.390, o RS ainda custa menos que o Volkswagen Tera High (R$ 147.190) e o Jeep Avenger Limited (R$ 147.990), segundo o Webmotors. O Sonic também traz um bom pacote: seis airbags, frenagem automática de emergência, alerta de ponto cego, tela de 11 polegadas e conexão sem fio com o smartphone, com motor 1.0 turbo de três cilindros de até 115 cv.
Portanto, o custo-benefício ficou arranhado, mas não quebrou. Ainda assim, suspeitamos que a distância para os rivais possa diminuir se vierem mais reajustes, e a margem para eles não é ilimitada. Os preços reais de negociação também escorregam nos dois sentidos: o Webmotors já registrou descontos acima de R$ 32.000 no Tracker, da própria Chevrolet, o que mostra que o preço de tabela, sozinho, é um guia ruim do que alguém realmente paga.
O que o consumidor deve fazer
Nosso conselho é simples. Ignore o preço de lançamento. Peça à concessionária o preço final faturado, com a data, e compare-o com a tabela atual, não com a original. Se o modelo estiver em pré-venda, parta do princípio de que uma correção virá. E, se o desconto para pessoas com deficiência (PCD) importa para você, lembre que o Auto+ TV vincula esse benefício ao teto de R$ 120.000, linha que o Sonic já ultrapassa; confira os limites antes de assinar.
Nosso veredicto: o Sonic continua sendo um SUV competitivo, mas seu preço de lançamento foi um teaser. Os consumidores brasileiros que tratam o primeiro preço como contrato continuarão se surpreendendo. Trate-o como isca, leia as letras miúdas e negocie a partir do número de hoje.
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